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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Santarém: Crucifixo de Von Martius


Na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, na cidade de Santarém, encontra-se o famoso crucifixo do cientista alemão Karl Friedrich Philipp Von Martius, que tanto orgulho concede aos moradores deste município.

Karl Von Martius formou-se em Medicina, mas dedicou-se ao estudo das Ciências Naturais, especialmente Botânica e Zoologia. Membro da Academia Real de Ciências de Munique (Alemanha), veio ao Brasil integrando a comitiva da arquiduquesa Leopoldina, que se casou com D.Pedro I. Durante três anos (1817 a 1820), por determinação do rei Maximiliano José, da Baviera, ele viajou pelo país, acompanhado do Cientista Johann Baptist Von Spix, recolhendo amostras do solo e exemplares da fauna e da flora. Em parceria com Spix escreveu as obras "Viagem pelo Brasil" e "A Flora Brasileira", um verdadeiro tratado de botânica em 15 volumes, com 20.773 páginas e 3.811 gravuras.

Em 18 de setembro de 1819, Von Martius escapou de morrer num naufrágio, quando navegava pelo rio Amazonas, próximo a Santarém. Aquele dia foi decisivo na vida do cientista de língua alemã, nascido em 17 de abril de 1794 na cidade de Erlanger, na Baviera, que deixou um dos maiores estudos sobre a flora brasileira. Em agradecimento a Deus por ter sido salvo da morte, Von Martius mandou confeccionar um crucifixo de ferro fundido, com 1,62 metro de altura. O crucifixo, que ficou pronto em 1846, só chegou ao porto de Santarém em 1848 e difere dos demais por apresentar Jesus ainda vivo.

Mesmo tendo chegado ao ano de 1848, a peça passou alguns anos desmontada e armazenada na casa do vigário da cidade, o que gerou certo descontentamento do naturalista, que teve que solicitar a intervenção do Arcebispo da Bahia na questão:

“...Na minha ultima carta contei a historia do crucifixo que mandei ao Pará para ser erigido na igreja de Santarém, e que até agora ficou desarmado na casa do Snr. Vigário, por serem as muralhas do templo não muito fortes. Repito a minha devota solicitação, que V. Exc. tenha a bondade de intervir nesse caso, ordenando que quando o crucifixo (que é de ferro dourado, e tem oito pés de altura) não coubesse sobre uma cruz na igreja, seja collocado fora dela, ou pelo lado da ribanceira. Salvado por milagre das águas do Amazonas, eu sentiria grande satisfação sabendo, que este testemunho da minha pia gratidão não se perdesse...”(Medico do Povo, nº 98, 1851)


Um comentário:

  1. Belo artigo! Ao visitar a matriz de N. Sra. da Conceição e vislumbrar, ainda que de longe, o crucifixo de Martius, temos a impressão de tomar parte desse fato histórico...

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