Você se Lembra?

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quinta-feira, 13 de junho de 2013

Santarém: Histórias de Carlos Meschede

Vejam que foto legal. O único prédio que não existe mais, é o que ficava ao lado do sobrado em frente ao Bar Mascote, que servia de residência ao Sr. Manoel Loureiro, pai do Raul, proprietário do prédio do antigo cinema Olímpia na praça da Matriz, os outros todos ainda estão de pé até hoje. O rio, quando cheio encostava na Rua Lameira Bittencourt, cujo guarda corpo, servia de divisória entre o rio e a rua, e de proteção aos pedestres.  
Ao fundo, por traz da popa do barco, vê-se uma mangueira, que ficava bem em frente a Casa Feliz, logo ao lado do fim do terrasse do Bar Mascote.


Pois bem, nesse trecho, existiam duas mangueiras, essa da foto e outra que ficava em frente ao sobrado que servia de residência a família Mileo. Esta, era mais frondosa do que a do Bar Mascote, e tirava a vista do sobrado dos Mileos para o rio. Esquecendo-se que era desafeto do General Barata, que foi interventor do Para, nomeado pela ditadura de Getúlio Vargas e, nessa época, já governador constitucionalmente eleito, mas sem perder o espirito de interventor, o seu Mileo, mandou derrubar a mangueira para que abrisse ao seu sobrado a bela vista dos rios Tapajós e Amazonas disputando o carinho da nossa bela Santarém, muito bem cantado em "Terra querida", não sei se por seu Isoca ou seu irmão Vilmar. Me corrijam os Fonsecas por favor.


Isso foi o suficiente, para que viesse uma ordem de Belém, para prender o seu Mileo, o que foi feito pelo então delegado chamado Piruncí, que além de prende-lo, aplicou-lhe uma duzia de bolos com uma palmatória, humilhando-o na frente dos populares que sempre estão presentes nessas ocasiões.
Por causa desse episódio, um dos seus filhos, o saudoso Russo Mileo, fez uma promessa, que deixaria a barba crescer, e só tiraria quando o Barata deixasse o poder. Foi acompanhado nessa empreitada pelo Correa, pai do Flávio que foi motorista do DER, e era motorista de táxi na época, e também não engolia o Barata.
Passaram-se os anos e os dois cumpriram a promessa e só tiraram a barba, quando o General Barata, perdeu a eleição para o General Alexandre Zacarias de Assunção, candidato da oposição. Na campanha do General Assunção, cantavam nos comícios uma música que dizia: " Oi gente que bicho é esse, é Barata, pega na chinela e mata"
Logo após a vitória, colocaram duas cadeiras de barbeiro em frente da loja da segunda foto onde se anuncia a Casa Nassar, e ali, acompanhado de um grande público, música e animação, as barbas do Russo e do Correa foram raspadas pelo Alberto Barbeiro, e pelo Noronha, que além de barbeiro, era ponta direita do São Raimundo. Credo!
Quando a Alemanha perdeu a guerra, meu pai, por ser alemão, foi preso junto com todos os Alemães e Japoneses que viviam no Estado do Pará e transferidos para um campo de concentração, na cidade de Tome-Açú. Minha mãe, minha irmã Anne e eu o acompanhamos nessa jornada.
Passados os efeitos da guerra o General Barata, que nessa época era interventor, foi quem liberou os alemães e japoneses de Tome-Açú. Por essa razão, meu pai tornou-se, até o fim da vida em um fiel Baratista, e por isso, não gostou nada do tira barba do Russo e do Correa, principalmente por ter sido bem ao lado do BAR MASCOTE.
A única fonte dessas histórias que eu ando narrando por aqui, é única e exclusivamente minha memória, por essa razão, peço desculpas se cometo algum erro.


Texto: Carlos Meschede

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