Você se Lembra?
sexta-feira, 29 de março de 2013
Santarém: Última sessão do Cine Olímpia, 1986
04.05.1986 - O Cinema Olímpia fechava suas portas, em Santarém. Desse cinema os santarenos não esquecem. "Operação Dragão", com Bruce Lee. Foi o último filme exibido no saudoso Cine Olímpia.
quinta-feira, 28 de março de 2013
Patrimônio Histórico Santareno Destruído
Um crime ao patrimônio histórico de Santarém é o que se pode observar nestas duas fotos que ilustram este post. A primeira imagem nos remete à década 80 quando o casarão da família Reça e a padaria Luci, prédios localizados na rua Lameira Bittencourt, faziam parte do passado recente desta cidade.
A imagem abaixo é o retrato do descaso, da irresponsabilidade e da leniência das nossas autoridades. A foto feita do alto do Morro da Fortaleza dá a dimensão do dano causado ao patrimônio histórico. O local que um dia abrigou esses importantes imóveis receberá brevemente um prédio comercial.
Do cenário antigo, resta apenas a fachada que possivelmente será mantida em seu aspecto original.
Além do dano ao patrimônio histórico, outro fator preocupante é a retirada de parte do Morro da Fortaleza, que ocorre sem fiscalização dos órgãos ambientais. Moradores ouvidos pelo blog temem o risco de um deslize de terra, principalmente neste período de chuvas fortes e intensas.
O silêncio coletivo da Prefeitura, da Câmara de Vereadores, do Ministério Público e do Instituto Histórico e Geográfico de Tapajós (IHGTap) é intrigante. Ninguém se manifesta. Por que?
“Não se deve apagar a memória do passado. Não só em respeito aos que nela foram vida, mas para possibilitar o conhecimento de como viviam, para que da comparação com o presente, possa a sociedade atual decidir sobre seu futuro. O conjunto, a arquitetura e a vegetação em redor retratam a memória de uma época, quando nas coisas se refletia a tonalidade de um tempo. A vida passada é compreendida pelos símbolos que ficam...”.
quinta-feira, 21 de março de 2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
Navio Lobo D'Almada
O navio “Lobo D’Almada”, construído na Holanda em 1955, pertencia a SNAPP - Serviço de Navegação e Administração do Porto do Pará. Por vários anos atendeu a grande demanda de passageiros em suas confortáveis acomodações. Fazia viagens para o Baixo Tocantins, Marajó e Baixo Amazonas. O navio acabou abandonado num dos portos à margem da baía de Guajará, num cemitério de navios, em virtude de uma disputa judicial.
terça-feira, 19 de março de 2013
segunda-feira, 18 de março de 2013
sábado, 16 de março de 2013
Santarém: Rua do Comércio
Rua João Pessoa, também chamada rua do Comércio ( hoje Lameira Bittencourt ). Com o Castelo ao fundo, casa Boa Esperança ( do Tuji ), farmácia Veloso ( do Mingote ), banco do Brasil e farmácia do Povo ( do Vicente Miléo ). Década de 50.
Usina de Luz
É um dia nublado, ameaçando chover novamente, o computador indica 22 graus lá em baixo, ao nível do mar. Aqui na encosta da montanha, no meio da floresta atlântica, no condomínio onde residimos, deve estar uns dois graus abaixo, mas não venta como ontem, no início da tempestade, quando o fornecimento de energia elétrica foi interrompido por algum galho derrubado sobre a rede de transmissão. Agora o ar permanece sereno, a tranquilidade domina o ambiente e meu espírito vagueia pelas lembranças de minha juventude na terra natal.
Lembro da Usina de Luz, onde hoje funciona o Mercado Municipal, na Praça Rodrigues dos Santos. Eu ia lá admirar aquela que me parecia enorme termoelétrica, a fornalha queimando lenha, a caldeira soltando vapor e fazendo mover o motor, tudo para acionar um pequeno gerador elétrico, acho que fornecia uns meros 50 KW que mal davam para iluminar precariamente as ruas da frente no centro da cidade com luzinhas que mais pareciam lamparinas. A fornalha era alimentada desde cedo para fornecer vapor suficiente das seis às nove da noite quando os apitos da usina anunciavam o acender e apagar das luzes.
Quando a usina apitava era hora dos rapazes se despedirem, porque nenhuma moça de família namorava depois que a luz apagava. O pai pigarreava, a mãe vinha espiar e dizer entre dentes: "Tá na hora". Acabava o namoro e iniciava o caminho da Fuluca, das Sete Bandeirinhas, onde a bebida, a música e as mulheres à luz de candeeiros estavam disponíveis a noite toda. Mas eu era congregado mariano e não podia frequentar tais lugares, então ia visitar residências com pais menos repressivos namorar meninas mais liberais.
A sessão do Cinema Olímpia terminava às nove, justo quando iniciava o apagão. Por isso as meninas tinham que ser sempre acompanhadas por responsáveis, os próprios pais, irmãos mais velhos ou tios. Sempre equipados com lanternas para iluminar os caminhos. A Avenida Tapajós não existia. Só a Rua do Comércio (Lameira Bittencourt), Siqueira Campos, Marechal Floriano e o trecho da Adriano Pimentel diante da Prefeitura eram pavimentadas, com esgoto a céu aberto. As demais vias eram de terra batida e muitas não passavam de areais que dificultavam a passagem dos carros de boi. Caminhões e carros eram apenas dois ou três de cada. O carro do Von, pai do Alexandre, era o único que transportava passageiros.
A Rádio Rural ainda não existia, não havia energia elétrica nem Frei Juvenal, o precursor de padre Edilberto Sena. Quem precisasse de energia durante o dia tinha de instalar seu próprio gerador diesel-elétrico. Era o caso das Prensas de juta que funcionavam na Rua do Imperador, a fábrica de gelo do Bar Mascote e a do Guaraná Sacil, a primeira de Santarém, que fornecia força para nossa casa no horário comercial.
Finalmente o sonho de Silvio Braga se realizou e a hidroelétrica do Palhão foi inaugurada com muitas festas e seus 40 MW, suficientes para acalentar o início do desenvolvimento econômico da cidade. Foi uma alegria, assim como agora que a Light restabeleceu o fornecimento de energia e eu posso escrever estas recordações.
A carência de energia é um dos maiores empecilhos ao desenvolvimento e bem estar da Humanidade, como nestas horas em que fiquei no apagão, isolado do Mundo, do conhecimento, da informação, dos parentes e amigos, imaginando como fica infeliz e triste a vida sem eletricidade. E sem Internet.
Lembro da Usina de Luz, onde hoje funciona o Mercado Municipal, na Praça Rodrigues dos Santos. Eu ia lá admirar aquela que me parecia enorme termoelétrica, a fornalha queimando lenha, a caldeira soltando vapor e fazendo mover o motor, tudo para acionar um pequeno gerador elétrico, acho que fornecia uns meros 50 KW que mal davam para iluminar precariamente as ruas da frente no centro da cidade com luzinhas que mais pareciam lamparinas. A fornalha era alimentada desde cedo para fornecer vapor suficiente das seis às nove da noite quando os apitos da usina anunciavam o acender e apagar das luzes.
Quando a usina apitava era hora dos rapazes se despedirem, porque nenhuma moça de família namorava depois que a luz apagava. O pai pigarreava, a mãe vinha espiar e dizer entre dentes: "Tá na hora". Acabava o namoro e iniciava o caminho da Fuluca, das Sete Bandeirinhas, onde a bebida, a música e as mulheres à luz de candeeiros estavam disponíveis a noite toda. Mas eu era congregado mariano e não podia frequentar tais lugares, então ia visitar residências com pais menos repressivos namorar meninas mais liberais.
A sessão do Cinema Olímpia terminava às nove, justo quando iniciava o apagão. Por isso as meninas tinham que ser sempre acompanhadas por responsáveis, os próprios pais, irmãos mais velhos ou tios. Sempre equipados com lanternas para iluminar os caminhos. A Avenida Tapajós não existia. Só a Rua do Comércio (Lameira Bittencourt), Siqueira Campos, Marechal Floriano e o trecho da Adriano Pimentel diante da Prefeitura eram pavimentadas, com esgoto a céu aberto. As demais vias eram de terra batida e muitas não passavam de areais que dificultavam a passagem dos carros de boi. Caminhões e carros eram apenas dois ou três de cada. O carro do Von, pai do Alexandre, era o único que transportava passageiros.
A Rádio Rural ainda não existia, não havia energia elétrica nem Frei Juvenal, o precursor de padre Edilberto Sena. Quem precisasse de energia durante o dia tinha de instalar seu próprio gerador diesel-elétrico. Era o caso das Prensas de juta que funcionavam na Rua do Imperador, a fábrica de gelo do Bar Mascote e a do Guaraná Sacil, a primeira de Santarém, que fornecia força para nossa casa no horário comercial.
Finalmente o sonho de Silvio Braga se realizou e a hidroelétrica do Palhão foi inaugurada com muitas festas e seus 40 MW, suficientes para acalentar o início do desenvolvimento econômico da cidade. Foi uma alegria, assim como agora que a Light restabeleceu o fornecimento de energia e eu posso escrever estas recordações.
A carência de energia é um dos maiores empecilhos ao desenvolvimento e bem estar da Humanidade, como nestas horas em que fiquei no apagão, isolado do Mundo, do conhecimento, da informação, dos parentes e amigos, imaginando como fica infeliz e triste a vida sem eletricidade. E sem Internet.
Sebastião Imbiriba
Fonte: O Estado do Tapajós On Line
sábado, 9 de março de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
Santarém da Saudade
O progresso chegou, Santarém!
Com seu porto e suas estradas
Sua TV, suas velas de regatas
Sua onda de motores, um vai, outro vem...
Tu gostaste, Santarém?
Foi pro teu bem?
Hein? Hein? Hein?
Responde depressa, Santarém!
E agora, Santarém?
Onde as canoas de velas belas
Metidas no muruci
Onde as catraias, os taxis das praias;
Cadê dona Bibi, que fazia Paumary?
Onde as lavadeiras
Mulheres velhas, meninas brejeiras
E a roupa lavada, na corda esticada
E à tarde, pelada gostosa, comendo na areia?
A serra Piroca, coitada!
Perdeu seu cume, quase morreu decapitada
Duma baita dentada
Que o progresso lhe deu.
E a Vera Paz? Essa mesma, acabou!
E o cais do porto taí
Carreando dinheiro, espertando jaraqui.
Laguinho aterrado, Irurá loteado
Maria José proibida: avião tá de saída...
Santarém, e tua arte, como vai?
Cadê os trabalhos das bonequeiras
As "caretas", tantas obras belas, gentis
Os castiçais, os santos de madeiras
As custódias, os turíbulos E o velho altar da Matriz?
As cuias do Fona, os trabalhos das rendeiras!
Como tudo, Santarém, não tens museu?
E o Trapiche, a Igreja de São Sebastião
O Teatro Vitória?
Olha, Santarém: quem não guarda
Seu passado, morre para a história!
Dona Dica! Suas bolsas, seus leques!
Laurimar! Tuas esculturas e pinturas!
Isoca! Teus hinos, tuas valsas, esse tesouro!
João Sena, tuas jóias, quais finas rendas d'ouro.
Paulo Rodrigues, Emir, João Santos
Ezeriel, Frei Ambrósio, outros tantos...
Sem museu, sem biblioteca, sem cuidados
Onde ficam essas obras de artista renomados?
Ainda restam as festas da Conceição
De São Raimundo, de São Sebastião
As noites de serenata na Aldeia enluarada.
As fogueiras na praia
Das turmas em piracaia.
E o Amazonas e o Tapajós
Abraçando Santarém, abraçando todos nós.
Lembrando o Padre Poeta Manuel
Murmuro, pelos olhos escorrendo o coração:
Eu te amo, Santarém, meu bem, meu bem!...
Texto: Nicolino Campos 1983
Foto: Vidal Bemerguy década de 50
domingo, 3 de março de 2013
Os Catraieiros de Santarém
Sua denominação proveio do tipo de embarcação que utilizavam. Uma canoa de vinte palmos de comprimento com capacidade para setecentos quilos e com lotação para doze passageiros. Geralmente essas canoas eram fabricadas no rio Arapiuns e sofriam uma adaptação, com colocação de bancos laterais na popa, soalho e eram movidas por duas longas faias colocadas na proa, seguras por forquetas presas em almofadas laterais da canoa. Eram bem cuidadas, limpas e ofereciam conforto e segurança para seus usuários. Todas estavam identificadas por nomes: "Flor de Maio", "Santa Maria", "Zazá", "Gaivota", "Paysandu", "Angelita" e outros nomes que se perderam n esquecimento. Não eram numerosas. No máximo umas vinte catraias para esse serviço.
Fotografia tirada em frente a Praça da Matriz, 1948.
O catraieiro era o proprietário e o tripulante. Trabalhava sozinho, mas quando tinha muito serviço sempre conseguia um ajudante. Isto acontecia quando no porto fundeavam um, dois ou mais navios, o que era comum naquele tempo. Aportavam navios do Lóide Brasileiro, da Amazon, particulares e estrangeiros, predominantemente ingleses.
O catraieiro fisicamente era o tipo comum do nosso caboclo. Bem forte, dispondo de força física capaz de manejar com facilidade os enormes “baús” e as grandes malas comumente usadas pelos passageiros. Eram pessoas bem relacionadas e identificadas algumas pelo renome, outras pela alcunhas: Alonso, Nilo, Fausto, Galo, Pascoal, João Cantídio, Maia, Jango e entre eles, o pequeno Bene, um descendente de norte-americano da antiga colônia aqui estabelecida no século passado. Bene, fisicamente destoava dos demais. Era um ser pequeno, vermelho, alourado e era protestante.
O catraieiro tinha seus “fregueses”, os senhores da terra que constantemente viajavam para Belém para tratar de negócios ou da saúde, ou os caixeiros-viajantes das grandes casas aviadoras de Belém que periodicamente chegavam a Santarém, trazendo seus numerosos ‘’baús’’ sortidos com mostras de mercadorias para expor a venda ao comércio local. É interessante lembrar que o pequeno Bene, o catraieiro protestante tinha as preferências do bispo Dom Amando.
Fotografia tirada pelo escritor Mário de Andrade, 1927.
Eles gozavam de absoluta confiança dos seus fregueses. Nunca se soube de um desvio proposital de bagagens, de um arrombamento, de um roubo em que um dos catraieiros fosse envolvido. Cuidavam com muita dedicação dos objetos que lhes eram entregues para o embarque ou desembarque. Estavam sempre muito bem atualizados, com o movimento dos navios em transito pelo porto de Santarém. Contavam com a colaboração dos telegrafistas da Amazon Thelegrafic que lhes davam informação das posições dos navio, que passavam pelos portos de Prainha, na subida e no de Óbidos na descida do rio Amazonas. Tinham tempo integral para se dedicarem a longa espera dos navios, de dia ou de noite. Os passageiros ficavam despreocupados, entregues aos seus cuidados para serem chamados a qualquer hora da noite quando o navio se aproximava de Santarém. Tinham uma visão capaz de identificar uma longa fumaça lá pelas bandas do Urubuquaquá ou um ponto luminoso que se movia dentro da noite. Nas noites escuras, mesmo nas noites chuvosas, quando tinham de fazer o embarque de alguém, perambulavam pelas ruas desertas da cidade conduzidos pela luz pálida de um farol na mão, em busca de passageiros.
O que ganhavam correspondia as suas mais urgentes necessidades. Segundo depoimento de um velho catraieiro, chegavam mesmo a conseguir montar um pequeno guarda-roupa onde dispunham de um terno de casemira para ir ao largo da festa da Conceição, ou nas noites de domingo ao cinema. Mas, as vezes, o trajar do catraieiro dava bronca...
De Alenquer chegou uma cabrocha capaz de fazer marinheiro perder navio. Chamava-se Mariazinha.Um desses catraieiros que gostava de usar seu terno de casemira nas noites domingueiras despertou o amor de Mariazinha que já tinha despertado o interesse de um figurão ou para ser méis preciso, de um "coronel" de muito prestigio. Mas, Mariazinha repudiou as propostas do coronel e ficou com o catraieiro. Ferido no seu orgulho e na sua vaidade pelo desprezo da alenquerense, o "coronel" resolve montar uma trama, fazendo o delegado de polícia prender o catraieiro para averiguações... A classe que não era numerosa, mas, muito unida, contrata um advogado para acompanhar o caso e sendo o bacharel amigo de farra da delegado, toma conhecimento de que tudo não passava de encenação para ver se o "coronel" tomava a Mariazinha do catraieiro... Mas o pior é que o coronel, além do catraieiro, teve como concorrentes o advogado e o delegado na conquista da cabrocha alenquerense...
Os tempos foram andando. Os navios para facilitar o desembarque de carga foram procurando atracar no trapiche que também foi se ampliando para atender a demanda. E assim as catraias foram desaparecendo e com elas uma classe – os catraieiros, que tanto serviços prestaram ao porto de Santarém.
Texto: João Santos
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Chegada do Prefeito Mário Guimarães, 1942
Foto de 1942, que registra uma recepção ao Prefeito Mário de Freitas Guimarães, no "aeroporto" pioneiro de Santarém. Do conjunto, quase nada mais existe: as catraias, a escada dos viajantes, a chaminé da velha uzina de luz, e os padres franciscanos alemães. Até o rio Tapajós foi recuado pelo discutido cais de arrimo que "engoliu" as nossas praias.
Foto e texto: Meu Baú Mocorongo de Wilson Fonseca
Foto e texto: Meu Baú Mocorongo de Wilson Fonseca
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Santarém: Casa de Saúde São Sebastião, 1962
Casa de Saúde São Sebastião: à avenida Adriano Pimentel, oferecia clínica médica, cirurgia e obstétrica, assistência pré-natal e obstetrícia. Dispunha também de laboratório de análises clínicas. Seus serviços incluíam gasoterapia, aerosóis, carbogênio, oxigênio, raios-x e fisioterapia. E um pronto-socorro. Tudo sob a direção do médico Waldemar Penna.
Foto enviada por Rubenita Campos Figueira
Texto: Memórias de Santarém - Lúcio Flávio Pinto
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Bendito Rio Tapajós, 1950
Na região de Lábrea, no estado do Amazonas, estava grassando uma epidemia
de uma doença não identificada de pronto. Os órgãos oficiais de saúde resolveram enviar àquela região um grupo de
médicos e pesquisadores, com vistas a diagnosticar o que estava ocorrendo.
Foi solicitado à Base Aérea de Belém que fornecesse a essa missão transporte aéreo, que só poderia ser realizado por avião CATALINA, pois não havia campo de pouso naquela cidade nem em suas proximidades.
Em novembro de 1950 o CATALINA 6527, decolou de Belém levando a comitiva médica,
tendo como pilotos os tenentes Pereira Sobrinho e Coelho de Souza. O avião pousou em Santarém, onde foi abastecido
a pleno, pois havia pouca gasolina em Manaus, onde seria reabastecido. Com seus tanques cheios o avião tornou-se
pesado, acima de seu peso normal de operação na região amazônica.
A pista de Santarém era coberta por uma tênue pintura asfáltica tinha pouco mais de 800 metros e a direção do vento indicava que a decolagem deveria ser feita no sentido da floresta para o rio. O piloto, após as verificações e o cheque de motores costumeiros, entrou na pista, alinhou o avião e aplicou plena potência em ambos os motores. O CATALINA iniciou a corrida de decolagem com aceleração menor que a normal, devido ao elevado peso. Próximo ao fim da pista a garça decolou, iniciando uma subida lenta. Quando o trem de pouso estava sendo recolhido, o motor direito deu umas tossidas e teve perda de potência quase total. O mecânico, bastante experiente e profundo conhecedor do CATALINA, identificou logo a causa da perda de potência: a pressão de gasolina nesse motor havia caído para zero. Imediatamente começou a acionar vigorosamente a bomba manual de combustível que ficava no painel de seu pequeno cubículo, o que permitiu que o motor funcionasse intermitentemente, mas com pouca potência, pois o débito de gasolina enviada pela bomba manual não era suficiente para a operação normal do motor.
O piloto, ao perceber a anormalidade, procurou manter o avião em vôo e conseguiu desviar da chaminé de tijolo da usina termoelétrica da cidade. Ao se aproximar da margem do rio Tapajós, comandou baixar os flutuadores, e seguiu desviando dos mastros de algumas embarcações ancoradas diante da cidade. Conseguiu fazer um pouso n’água quase normal, sem nenhum dano ao avião ou às pessoas que estavam a bordo, tripulantes e passageiros.
A bóia de Santarém ficava localizada em um remanso abrigado, próximo ao porto. Um remanso sempre é enganador, pois muitas vezes a correnteza do rio que vai em uma direção, nas proximidades do remanso parte dela muda de direção, como se fosse formar um grande rodamoinho. Além disso, o cabo da bóia não era verificado, utilizado nem trocado há muito tempo, pois tanto os CATALINA da FAB como os da PANAIR só operavam do aeródromo. Raramente um PBY-5 (hidro) pousava em Santarém.
Apesar de todas as dificuldades o piloto, experiente em hidro-aviação pois havia completado nos EUA seu curso de Piloto Naval e Piloto de Patrulha voando o PBM MARTIN, talvez o maior hidro-avião militar existente, conseguiu se aproximar da bóia e, com grande habilidade, prender o avião ao cabo. O motor só seria cortado quando houvesse a certeza de que o avião estava “amarrado”. Pela inércia o avião ainda se deslocou um pouco à frente, o que foi suficiente para arrebentar o cabo apodrecido. Novas peripécias para sair da área onde se encontravam vários barcos e ser socorrido por uma lancha que, com um cabo novo, rebocou o avião até a bóia.
Após prender o avião no novo cabo da bóia, os mecânicos, com o auxílio das plataformas, iniciaram o trabalho de pesquisa sobre a origem da pane. Foram retiradas as carenagens do motor e feitos alguns testes. Logo foi identificada a causa da pane: o eixo da bomba de gasolina havia partido.
Enquanto os mecânicos trabalhavam sob o sol inclemente, foi enviada mensagem ao Esquadrão em Belém solicitando a remessa de uma bomba e, se possível, outro avião para continuar a viagem para Lábrea.Como eu era o Oficial de Material do Esquadrão, fui escalado para levar outro avião, o 6526, e entregá-lo à tripulação do 6527 para a continuação da viagem. Levei a bordo do 6526 uma pequena equipe de especialistas equipada para efetuar o reparo no 6527. Pousei no aeroporto de Santarém lá pelas 11:00 da manhã, quando então entreguei o 6526, no aeroporto, para o prosseguimento da missão. O avião decolou em seguida para Manaus e nós nos dirigimos para o local onde estava o 6527. Em lá chegando, constatamos que não era possível trabalhar em determinadas horas, devido ao fato de que as chapas do avião estarem muito quentes, impossibilitando que nelas se tocasse. Decidimos trabalhar um pouco entre 17:00 e o por do sol e, no dia seguinte, iniciar os trabalhos no nascer do sol e prosseguir até quando a temperatura das chapas permitisse.
Terminada a troca da bomba, dei partida nos motores e soltei o cabo da bóia. A pressão da gasolina estava normal permitindo que eu decolasse e voasse cerca de 30 minutos sobre o aeródromo, onde pousei. Em seguida regressei a Balem.
Essa são algumas peculiaridades do CATALINA. Em caso de pane, havendo um rio ou lago nas proximidades, ele pode pousar sem grandes riscos. Em compensação, fazer serviços de manutenção no avião, pousado n’água, é trabalho complicado e lento, devido à exigüidade de espaço.
Cel. Av. José de Carvalho
Foi solicitado à Base Aérea de Belém que fornecesse a essa missão transporte aéreo, que só poderia ser realizado por avião CATALINA, pois não havia campo de pouso naquela cidade nem em suas proximidades.
A pista de Santarém era coberta por uma tênue pintura asfáltica tinha pouco mais de 800 metros e a direção do vento indicava que a decolagem deveria ser feita no sentido da floresta para o rio. O piloto, após as verificações e o cheque de motores costumeiros, entrou na pista, alinhou o avião e aplicou plena potência em ambos os motores. O CATALINA iniciou a corrida de decolagem com aceleração menor que a normal, devido ao elevado peso. Próximo ao fim da pista a garça decolou, iniciando uma subida lenta. Quando o trem de pouso estava sendo recolhido, o motor direito deu umas tossidas e teve perda de potência quase total. O mecânico, bastante experiente e profundo conhecedor do CATALINA, identificou logo a causa da perda de potência: a pressão de gasolina nesse motor havia caído para zero. Imediatamente começou a acionar vigorosamente a bomba manual de combustível que ficava no painel de seu pequeno cubículo, o que permitiu que o motor funcionasse intermitentemente, mas com pouca potência, pois o débito de gasolina enviada pela bomba manual não era suficiente para a operação normal do motor.
O piloto, ao perceber a anormalidade, procurou manter o avião em vôo e conseguiu desviar da chaminé de tijolo da usina termoelétrica da cidade. Ao se aproximar da margem do rio Tapajós, comandou baixar os flutuadores, e seguiu desviando dos mastros de algumas embarcações ancoradas diante da cidade. Conseguiu fazer um pouso n’água quase normal, sem nenhum dano ao avião ou às pessoas que estavam a bordo, tripulantes e passageiros.
A bóia de Santarém ficava localizada em um remanso abrigado, próximo ao porto. Um remanso sempre é enganador, pois muitas vezes a correnteza do rio que vai em uma direção, nas proximidades do remanso parte dela muda de direção, como se fosse formar um grande rodamoinho. Além disso, o cabo da bóia não era verificado, utilizado nem trocado há muito tempo, pois tanto os CATALINA da FAB como os da PANAIR só operavam do aeródromo. Raramente um PBY-5 (hidro) pousava em Santarém.
Apesar de todas as dificuldades o piloto, experiente em hidro-aviação pois havia completado nos EUA seu curso de Piloto Naval e Piloto de Patrulha voando o PBM MARTIN, talvez o maior hidro-avião militar existente, conseguiu se aproximar da bóia e, com grande habilidade, prender o avião ao cabo. O motor só seria cortado quando houvesse a certeza de que o avião estava “amarrado”. Pela inércia o avião ainda se deslocou um pouco à frente, o que foi suficiente para arrebentar o cabo apodrecido. Novas peripécias para sair da área onde se encontravam vários barcos e ser socorrido por uma lancha que, com um cabo novo, rebocou o avião até a bóia.
Após prender o avião no novo cabo da bóia, os mecânicos, com o auxílio das plataformas, iniciaram o trabalho de pesquisa sobre a origem da pane. Foram retiradas as carenagens do motor e feitos alguns testes. Logo foi identificada a causa da pane: o eixo da bomba de gasolina havia partido.
Enquanto os mecânicos trabalhavam sob o sol inclemente, foi enviada mensagem ao Esquadrão em Belém solicitando a remessa de uma bomba e, se possível, outro avião para continuar a viagem para Lábrea.Como eu era o Oficial de Material do Esquadrão, fui escalado para levar outro avião, o 6526, e entregá-lo à tripulação do 6527 para a continuação da viagem. Levei a bordo do 6526 uma pequena equipe de especialistas equipada para efetuar o reparo no 6527. Pousei no aeroporto de Santarém lá pelas 11:00 da manhã, quando então entreguei o 6526, no aeroporto, para o prosseguimento da missão. O avião decolou em seguida para Manaus e nós nos dirigimos para o local onde estava o 6527. Em lá chegando, constatamos que não era possível trabalhar em determinadas horas, devido ao fato de que as chapas do avião estarem muito quentes, impossibilitando que nelas se tocasse. Decidimos trabalhar um pouco entre 17:00 e o por do sol e, no dia seguinte, iniciar os trabalhos no nascer do sol e prosseguir até quando a temperatura das chapas permitisse.
Terminada a troca da bomba, dei partida nos motores e soltei o cabo da bóia. A pressão da gasolina estava normal permitindo que eu decolasse e voasse cerca de 30 minutos sobre o aeródromo, onde pousei. Em seguida regressei a Balem.
Essa são algumas peculiaridades do CATALINA. Em caso de pane, havendo um rio ou lago nas proximidades, ele pode pousar sem grandes riscos. Em compensação, fazer serviços de manutenção no avião, pousado n’água, é trabalho complicado e lento, devido à exigüidade de espaço.
Cel. Av. José de Carvalho
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Santarém: O "Morro da Fortaleza"
O "Morro do Castelo", mais conhecido como "Morro da Fortaleza", já desfigurado pelas constantes escavações, era entrave para que a cidade se expandisse rumo Leste. Diz Paulo Rodrigues do Santos em "Tupaiulândia", que "apesar de melhor clima, mais ventilação, maiores áreas de terras, os santarenos não queriam localizar-se naquela zona, que depois tomou o nome de Bairro da Prainha". Com a abertura do Largo da Municipalidade ( Praça Barão de Santarém ) para a construção da Casa da Câmara ( 1853/1867) o que provocou delinear-se pequena avenida que passa em frente com o nome de rua do Imperador até atingir a travessa Inácio Corrêa e esbarrar no paredão do morro que lhe interceptava a caminhada para interligar-se à rua dos Mercadores ( hoje Lameira Bittencourt ) que corria pela frente da cidade, apenas alcançava alguns metros além do atual Trapiche Municipal; logo adiante esbarrava no paredão do morro que lhe interceptava a caminhada e que, naquele trecho, caía a pique sobre a praia. Dessa forma, as comunicações dos mocorongos com a Câmara se fazia subindo a vereda que passava pela frente das arruinadas muralhas do Forte e descia pelo outro lado; por um caminho mais ao sul, onde o aclive era menos acentuado; pela praia em tempo de verão, ou, ainda por água. Muitos funcionários que residiam na Aldeia, iam e vinham para o trabalho, em canoas.
Assim foi por muitos anos. Havia também uma trilha estreita, verdadeiro "caminho de cabras", escorregadio e íngreme, que aos poucos foram escavando, pela frente do morro - "caminho de cabras" que hoje é a bonita avenida Adriano Pimentel. Citando o jornal "O Baixo Amazonas" de 29/05/1880, informa: "O sr. tenente Inácio José Corrêa acaba de proporcionar aos habitantes de Santarém um grande melhoramento de trânsito, prolongando, à sua custa, a Rua dos Mercadores até sair na Praça Municipal, escavando a parte do Morro do Castelo ( Fortaleza ), que obstruía esse prolongamento de trânsito. Atos deste muito recomendam ao conceito público de quem os praticas". E Paulo prossegue: "Assim foi aberta e, mais tarde, paulatinamente alargada, com novas escavações que permitiram a edificação de prédios, na atual avenida " Adriano Pimentel"
Foto 1: Final do século XIX. Livro Meu Baú Mocorongo de Wilson Fonseca
Foto 2: 1905. Livro The rubber country of Amazon. Enviada pelo blog Fragmentos de Belém
Texto: Meu Baú Mocorongo de Wilson Fonseca
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Prefeitura Municipal de Santarém, década de 40
Corria o ano de 1853, quando abriu-se em nossa cidade um grande roçado quadrilátero, a Leste da colina conhecida por Morro do Castelo ( hoje "Morro da Fortaleza" ), para alí ser erguido um edifício que abrigaria, conjugadamente, a Câmara Municipal e a Cadeia Pública. Com sua pedra fundamental lançada solenemente nesse mesmo ano de 1853, só foi concluído o palacete - por insuficiência de verbas que eram votadas, anualmente, pela Assembléia Provincial - catorze anos mais tarde, isto é, em 1867. Entretanto, a sua ocupação definitiva só ocorreu em agosto de 1868.
Foto enviada por Arlem Gonçalves
Texto: Meu Baú Mocorongo de Wilson Fonseca
Foto enviada por Arlem Gonçalves
Texto: Meu Baú Mocorongo de Wilson Fonseca
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Santarém: Carnaval da Saudade, 1963
Nesta época era comum os foliões santarenos desfilarem pelas ruas da cidade em cima de caminhões. Foto tirada em frente da praça Rodrigues das Santos, tendo ao fundo o Bar Vencedor e o antigo prédio dos Correios e Telégrafos.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Santarém: Bloco de sujo, década de 60
Foto tirada na rua Lameira Bittencourt, bem em frente ao antigo Trapiche Municipal. Década de 60
Foto: Blog do Ercio Bemerguy
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Garapeira Ypiranga, 1948
A Garapeira Ypiranga, popularmente conhecida desde a década de 1940, propriedade do Sr. Cipriano Rocha, em meio ao centenários benjamins da Praça da Matriz, era também bastante frequentada por pessoas de ambas as classes, que saboreavam a garapa de cana, uma bebida exótica e refrescante muito apreciada pelos santarenos. O estabelecimento sobreviveu ao tempo e aos acontecimentos. Seus proprietários já não são mais os mesmos, porém seus descendentes fazem questão de, mesmo com as dificuldades, manter o funcionamento desse ambiente, considerado parte da história santarena.
Foto: Álbum do Centenário de Santarém
Texto: Santarém uma Síntese Histórica de Antonia Terezinha dos Santos Amorim
Bar Mascote e Tapajós Bar, 1948
As opções de lazer e entretenimento da primeira metade do século XX eram exclusividade apenas dos homens santarenos: O Bar Mascote e o Tapajós Bar. O primeiro, considerado a "sala de visitas" da cidade, sob a responsabilidade da família Meschede, desde a década de 1930 vem recebendo com muito requinte e cordialidade familiares e amigos, principalmente após o final da tarde, para aquele bate-papo sadio e gostoso, por se tratar de um lugar aprazível e bastante acolhedor.
Foto: Álbum do Centenário de Santarém
Texto: Santarém uma Síntese Histórica de Antonia Terezinha dos Santos Amorim
O Tapajós Bar, de propriedade do Sr. Moysés E. Cohen, localizado em frente à catedral de Nossa Senhora da Conceição na Praça Monsenhor José Gregório, era bastante frequentado pelo cidadãos santarenos, que aproveitavam o ambiente para trocar idéias sobre política e futebol, enquanto tomavam uísque e cerveja.
Foto: Álbum do Centenário de Santarém
Texto: Santarém uma Síntese Histórica de Antonia Terezinha dos Santos Amorim
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Uma visão da orla de Santarém, 1929
Uma visão da orla da cidade de Santarém, no ano de 1929. Tendo como destaque, o "caizinho" ( parte arborizada ), o saudoso "castelo" e ao fundo no centro da foto, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição sem as duas torres, desaparecidas em 1851 ( as atuais foram construídas em 1933 ). Do lado esquerdo da foto, uma parte da casa do Barão de Santarém.
Foto: Enviada pelo Blog Fragmentos de Belém
Foto: Enviada pelo Blog Fragmentos de Belém
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Festa de aniversário do Dr. Adriano Pimentel em sua residência na praia da Vera Paz, 1906
No início do século XX, outras opções de lazer da sociedade santarena eram as reuniões sociais e os bailes oferecidos pelas famílias ilustres da cidade, que recebiam seus amigos e familiares nos salões das santuosas residências para a comemoração de eventos significativos. Nos bailes, os convidados ficavam divididos por sexo: os cavalheiros eram colocados de um lado do salão, e as damas, do outro, onde permaneciam à espera da indicação de seu par, previamente escolhido pelo mestre de cerimônia, que dirigia toda a programação.
Foto: Horácio Silva
Texto: Santarém uma Síntese Histórica de Antonia Terezinha dos Santos Amorim
Foto: Horácio Silva
Texto: Santarém uma Síntese Histórica de Antonia Terezinha dos Santos Amorim
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Santarém: Praça da Matriz, década de 20
Praça Monsenhor José Gregório: Depois da Praça Dr. Rodrigues dos Santos, a Praça Monsenhor José Gregório é a mais antiga de Santarém. Lá já foi cemiterio e passou a ser Praça da Matriz após a construção da atual igreja de Nossa Senhora da Conceição, que teve seu início em 1761. No princípio não havia ainda a arborização e a praça em frente à igreja era de chão batido, que descia desde a igreja até o barranco à beira do rio. Ao centro dessa praça, havia um grande cruzeiro, que desapareceu nos primeiros anos do século XX. O cruzeiro foi substituído por coretos provisórios onde as bandinhas locais tocavam durante as festas da padroeira.
Foi somente em 1917 que o então Prefeito ( Intendente ) Dr. Oscar Barreto promoveu a arborização da praça com "fícus-benjamins", árvore ornamentais ainda hoje existente, e colocou um coreto mais ou menos permanente ao centro dela. Então, foi somente a partir de 1917 que à frente da igreja de Nossa Senhora da Conceição foi construída uma praça de verdade.
Foto: Apolônio Fona
Texto: Santarém, Logradouros Públicos de Wilde Dias da Fonseca
sábado, 26 de janeiro de 2013
Hotel Oriental, 1950
Da primeira metade do século XX. Os turistas e visitantes que chegavam a Santarém por motivos de passeio ou negócios, muitas vezes acabavam hospedados nas santuosas residência de seus parentes e amigos no centro comercial, enquanto aqueles que não se enquadravam nessas condições tinham que buscar novas opções.
As opções eram poucas e dependiam da condição social e financeira de cada um. A cidade dispunha de apenas um hotel e duas pensões, que, embora desprovida de conforto e instalações de luxo, correspondiam às exigências e expectativas de seus usuários.
O hotel era mais confortável. Ficava na Rua João Pessoa ( hoje Lameira Bittencourt ), na antiga residência do Barão Tapajos. Os quartos eram amplos, requintados e, além do valor Histórico ofereciam uma magnífica visão do maravilhoso encontro das águas em frente à cidade. Contudo, todo esse conforto custava caro, e nem todos os que desejavam podiam se hospedar no famoso Hotel Oriental, localizado bem no centro da cidade de Santarém.
Texto: Santarém uma Síntese Histórica de Antonia Terezinha dos Santos Amorim.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Santarém: Teatro Vitória década de 60
A história do Teatro Victória está associada à longa e demorada trajetória de sonhos e lutas de jovens santarenos que, na época, tendo como ideal desenvolver a arte local. Almejaram construir aqui um espaço apropriado para a realização de grandes eventos sociais e culturais, como acontecia nas grandes cidades amazônicas
Em 1895, um grupo de teatrólogos conseguiu da câmara municipal o terreno destinado à construção do teatro, localizado em frente à atual Praça Rodrigues dos Santos, no centro da cidade. Assim o grupo não perdeu tempo e iniciou a construção, onde os problemas e as dificuldades eram constantes, mas não diminuíram o sonho nem o desejo de seus idealizadores, que chegaram a recusar uma quantia significativa oferecida pelo governo já no ano em que o teatro fora inaugurado, por não quererem dever favores a ninguém, nem mesmo ao poder público.
O Teatro Victória , mesmo idealizado e constuído pela iniciativa de um grupo de jovens, sem dúvida marcou uma nova fase na cultura santarena, não apenas por representar os anseios daqueles que quiseram cunstruir na cidade um espaço próprio para as apresentações artisticas, como os já existentes nas capitais amazônicas ( Belém e Manaus ), mas principalmente pelo mesmo ter aberto o campo para que novas manifestações artísticas pudessem ser produzidas e apresentadas na região a partir daquele momento. Foi inaugurado em 28 de junho de 1896 com muita festa e expectativa por parte dos santarenos, na presença de diversas autoridades civis, militares e eclesiástica da capital do estado e ragião.
Texto: Santarém uma Síntese Histórica de Antonia Terezinha dos Santos Amorim
Em 1895, um grupo de teatrólogos conseguiu da câmara municipal o terreno destinado à construção do teatro, localizado em frente à atual Praça Rodrigues dos Santos, no centro da cidade. Assim o grupo não perdeu tempo e iniciou a construção, onde os problemas e as dificuldades eram constantes, mas não diminuíram o sonho nem o desejo de seus idealizadores, que chegaram a recusar uma quantia significativa oferecida pelo governo já no ano em que o teatro fora inaugurado, por não quererem dever favores a ninguém, nem mesmo ao poder público.
O Teatro Victória , mesmo idealizado e constuído pela iniciativa de um grupo de jovens, sem dúvida marcou uma nova fase na cultura santarena, não apenas por representar os anseios daqueles que quiseram cunstruir na cidade um espaço próprio para as apresentações artisticas, como os já existentes nas capitais amazônicas ( Belém e Manaus ), mas principalmente pelo mesmo ter aberto o campo para que novas manifestações artísticas pudessem ser produzidas e apresentadas na região a partir daquele momento. Foi inaugurado em 28 de junho de 1896 com muita festa e expectativa por parte dos santarenos, na presença de diversas autoridades civis, militares e eclesiástica da capital do estado e ragião.
Texto: Santarém uma Síntese Histórica de Antonia Terezinha dos Santos Amorim
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
"Pousar ele pousou, o difícil foi decolar"
Inauguração do campo de aviação de Santarém por um "Lodstar" da Panair do Brasil em 2/5/1942.
Em Santarém os aviões também pousavam no rio, bem em frente à catedral. Tanto quanto o rio e outras cidades, necessitou de um aeroporto que recebesse igualmente as aeronaves em terra, já que a era dos hidroaviões comerciais se extinguia. E o campo foi construído em cima do Vira-Sebo ( um tremendo areal em aclive, que ia de onde se encontra o hospital municipal hoje, até as proximidades do Cambuquira ) e sem as devidas cautelas. Primeiro desmataram a área, e um piloto que sobrevoava Santarém resolveu desce na clareira aberta. Pousar ele pousou, o difícil foi decolar. O avião passou dias roncando desesperadamente por trás dos cemitérios, tentando alçar vôo e isto despertou a curiosidade da população que corria para o local para assistir ao inusitado espetáculo. Precisou vir gente de Belém que a custo tirou o avião atolado na areia. Depois fizeram uma pista macadamizada que deu para quebra o galho por algum tempo. Finalmente, veio a notícia alvissareira que sacudiu de contentamento o brio dos "mocorongos": Governo Federal ia constuir um aeroporto na cidade de Santarém, no mesmo lugar, com uma baita pista, capaz de servir de campo alternativo aos vôo internacionais que passavam sobre Santarém.
Foto e Texto: Meu Baú Mocorongo de Wilson Fonseca.
Em Santarém os aviões também pousavam no rio, bem em frente à catedral. Tanto quanto o rio e outras cidades, necessitou de um aeroporto que recebesse igualmente as aeronaves em terra, já que a era dos hidroaviões comerciais se extinguia. E o campo foi construído em cima do Vira-Sebo ( um tremendo areal em aclive, que ia de onde se encontra o hospital municipal hoje, até as proximidades do Cambuquira ) e sem as devidas cautelas. Primeiro desmataram a área, e um piloto que sobrevoava Santarém resolveu desce na clareira aberta. Pousar ele pousou, o difícil foi decolar. O avião passou dias roncando desesperadamente por trás dos cemitérios, tentando alçar vôo e isto despertou a curiosidade da população que corria para o local para assistir ao inusitado espetáculo. Precisou vir gente de Belém que a custo tirou o avião atolado na areia. Depois fizeram uma pista macadamizada que deu para quebra o galho por algum tempo. Finalmente, veio a notícia alvissareira que sacudiu de contentamento o brio dos "mocorongos": Governo Federal ia constuir um aeroporto na cidade de Santarém, no mesmo lugar, com uma baita pista, capaz de servir de campo alternativo aos vôo internacionais que passavam sobre Santarém.
Foto e Texto: Meu Baú Mocorongo de Wilson Fonseca.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Santarém: Centro Recreativo 1943
Inaugurado em Setembro de 1943, construída em arquitetura portuguesa no antigo Bulevar Frei Ambrósio, atual Praça da Bandeira, a bonita e santuosa sede do Centro Recreativo foi, nesse período um dos principais centros de encontro e realização de eventos socioculturais de Santarém, sendo que apenas seus associados poderiam frequenta-los.
Também nesse período, o antigo Theatro Victória, que já funcionava como cinema, passou a abrir seus salões, oferecendo à sociedade santarena "bailes carnavalescos e não-carnavalescos", banquetes e recepções, onde eram comemorados eventos de diversos tipos e ocasiões.
Texto: Santarém uma Síntese Hitórica de Antonia Terezinha dos Santos Amorim.
Foto: Enviado por Halen Gonçalves.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Barco "Santareno" da Firma Sousa & Braga
"Era um naviozinho de casco de madeira, chamado SANTARENO, que fazia viagens de Santarém para Belém". Construído no estaleiro da firma Sousa & Braga. Fotografia tirada em 1905.
Fonte: Meu Baú Mocorongo de Wilson Fonseca
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Santarém: Antiga Praça do Pescador, 1974
Antiga Praça do Pescador, e um pequeno trecho da rua dos Mercadores (depois chamada rua do Comércio, rua João Pessoa, e hoje, rua Senador Lameira Bittencourt). O prédio de 3 pavimentos pertenceu ao Barão de Santarém.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Santarém: A saga do Cinerama...
Como prometi no meu primeiro artigo, vou falar sobre o Cinerama.
Inaugurado em junho de 1978 e fechado em março de 2006, o último cinema
de Santarém até o momento, sempre teve na sua trajetória de quase 30
anos a árdua tarefa de entreter um público diferenciado em nossa cidade.
O cinema fora construído como resposta à inauguração do Cine Tapajós em 1977 no térreo do então Hotel Tropical. Antes disso, nós tínhamos o Cine Olímpia que concorria na época com o Cine Acácia e os dois cines eram a única opção para todos, tanto para a alta sociedade como para o povão. Ventiladores, cadeiras de madeira, ausência de tratamento acústico e tantos outros inconvenientes eram comuns às duas salas.
Quando o Cine Tapajós foi inaugurado com grande pompa e luxo, a high society santarena debandou-se para o novo cinema. Ar-condicionado, cadeiras estofadas, acústica perfeita e design moderno cativaram os mocorongos que abandonaram o Cine "Olympia" que ainda resistiu por mais nove anos graças ao povão. Óbvio que o ingresso era bem mais caro, segregando o público entre os cinemas e resultando no esvaziamento tanto do Olímpia como do Acácia.
Por questão de sobrevivência, meu pai (Raul Loureiro) decidiu construir um cinema ainda mais moderno e luxuoso para suplantar o Cine Tapajós. Nessa guerra, éramos nós contra a poderosa Varig, dona do Hotel Tropical e de uma cadeia de hotéis luxuosos pelo Brasil como também a maior companhia aérea da América Latina.
No início, a programação do Cine Tapajós acompanhava aos lançamentos de filmes junto com as capitais, nem preciso dizer que a Varig trazia os filmes de graça em seus aviões. Finalmente, depois de um ano e meio de construção, inauguramos o Cinerama. Ele era tão moderno na época, que jornais de Belém e Manaus noticiaram o feito com muitos elogios. Até hoje, ele é um prédio que impõe respeito com a sua fachada. Foi o único cinema do país com sala de vidro exclusiva para fumantes e a tela tinha uma curvatura tão ampla que era comparável à uma rampa de skate. Isso trazia conforto visual para quem assistisse ao filme sentado nas laterais. A central de ar era enorme e consumia uma quantidade absurda de água e energia elétrica.
O cinema fora construído como resposta à inauguração do Cine Tapajós em 1977 no térreo do então Hotel Tropical. Antes disso, nós tínhamos o Cine Olímpia que concorria na época com o Cine Acácia e os dois cines eram a única opção para todos, tanto para a alta sociedade como para o povão. Ventiladores, cadeiras de madeira, ausência de tratamento acústico e tantos outros inconvenientes eram comuns às duas salas.
Quando o Cine Tapajós foi inaugurado com grande pompa e luxo, a high society santarena debandou-se para o novo cinema. Ar-condicionado, cadeiras estofadas, acústica perfeita e design moderno cativaram os mocorongos que abandonaram o Cine "Olympia" que ainda resistiu por mais nove anos graças ao povão. Óbvio que o ingresso era bem mais caro, segregando o público entre os cinemas e resultando no esvaziamento tanto do Olímpia como do Acácia.
Por questão de sobrevivência, meu pai (Raul Loureiro) decidiu construir um cinema ainda mais moderno e luxuoso para suplantar o Cine Tapajós. Nessa guerra, éramos nós contra a poderosa Varig, dona do Hotel Tropical e de uma cadeia de hotéis luxuosos pelo Brasil como também a maior companhia aérea da América Latina.
No início, a programação do Cine Tapajós acompanhava aos lançamentos de filmes junto com as capitais, nem preciso dizer que a Varig trazia os filmes de graça em seus aviões. Finalmente, depois de um ano e meio de construção, inauguramos o Cinerama. Ele era tão moderno na época, que jornais de Belém e Manaus noticiaram o feito com muitos elogios. Até hoje, ele é um prédio que impõe respeito com a sua fachada. Foi o único cinema do país com sala de vidro exclusiva para fumantes e a tela tinha uma curvatura tão ampla que era comparável à uma rampa de skate. Isso trazia conforto visual para quem assistisse ao filme sentado nas laterais. A central de ar era enorme e consumia uma quantidade absurda de água e energia elétrica.
Enfim,
conseguimos trazer o público de volta para o nosso lado. Tivemos sorte,
pois o Cine Tapajós já não estava mais conseguindo trazer lançamentos
como no início pois o Hotel estava dando muito prejuízo para a VARIG, na
verdade esse investimento nunca se pagou. Em poucos anos, o Cine
Tapajós fechou suas portas. O Cinerama funcionou solitário por vinte anos, porém tinha muitos "concorrentes": Televisão, barzinhos, restaurantes, shows, boates, locadoras de vídeo e a internet mais recentemente. E durante esse tempo, a sala foi se deteriorando, os projetores foram quebrando, o ar-condicionado já não era como antes, os costumes foram mudando, o público estava ficando cada vez mais exigente e ao mesmo tempo intolerante ao fato de não passarmos os filmes ao mesmo tempo que as capitais. Esse sempre fora o nosso "calcanhar de Aquiles". Nós fazíamos um esforço hercúleo para trazermos grandes filmes o mais rápido possível mas era como ficar enxugando gelo. É preciso entender que nós éramos uma sala de cinema, entre as mais de 1.800 (Mil e Oitocentas) espalhadas pelo país, localizada no interior de um Estado da região Norte e com um público pífio.
É preciso esclarecer que até hoje só fazem no máximo 600 (seiscentas) cópias de cada lançamento, e não é nenhum "DVDzinho" ou fita de vídeo como muita gente "achava" que era projetado na tela e sim uma latas enormes com 35 quilos de peso com um frete aéreo caríssimo, chegando a Mil reais ao mês. Mesmo as salas modernas atuais, localizadas fora das capitais (com raras exceções), não exibem os filmes simultaneamente quando do seu lançamento. Elas ficam esperando a vez, como matematicamente já expliquei. A prioridade são de salas com grande demanda de público.
Tentei dar uma luz para vocês entenderem todo o processo, mas são muitas coisas juntas que levaram ao fechamento do Cinerama. Porém, vinte e oito anos de funcionamento foi algo extraordinário para os dias atuais. Agora já não existem mais "cinemas de Rua" e de tradição familiar, o modelo atual é de várias salas dentro de Shopping Centers controladas por grandes grupos empresariais. O padrão de sala de cinema mudou. Hoje, tudo mudou.
*Emanoel Loureiro é cineasta
Fonte: Janela Amazônica
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